terça-feira, 5 de outubro de 2010




A simplicidade e a estratégia

Tem gente que gosta de complicar as coisas. Fala de maneira empolada, traduz o que não precisa, abusa de jargões. Busca distinção profissional, mas perde clareza. Nos casos extremos, pode virar um grande chato.

Diferente mesmo é ser simples. Mas ser simples é difícil, até mesmo complicado. Afinal, a simplicidade que vale a pena é a que está do outro lado da complexidade. Complicado? Não. É a simplicidade encontrada por quem foi além, e não por quem parou um pouco antes.

Veja o que se conta sobre planejamento estratégico: algo restrito para os altos executivos de grandes corporações ou consultores especializados. Criou-se uma aura sobre o conceito que o torna quase impenetrável para muita gente. Errado! Planejamento estratégico é simples: é o processo para definir as estratégias de um negócio. E estratégia? Simples também: estratégias são escolhas. Não qualquer escolha, mas as grandes; aquelas que definem em quais mercados e contra quem a empresa irá competir, quais clientes ela deseja e como pretende conquistá-los, que produtos irá produzir e como se comunicará com seus compradores. Em outras palavras, é escolher o que você vai fazer e o que você não vai fazer.

Toda empresa precisa definir estratégias. Sem elas, ficaria como uma biruta, a cada momento apontando uma direção. E as estratégias não devem ser muitas e também precisam ser simples. A concisão e clareza ajudam no entendimento de todos os que responderão por sua execução, aumentando a chance de serem aplicadas com sucesso.

Quanto ao planejamento estratégico, ele pode ser encontrado nas empresas em diversos níveis de sofisticação. Algumas empresas realizam estudos detalhados sobre o ambiente de negócio, analisam profundamente o mercado, esquadrinham seus concorrentes, tentam revelar os mais secretos desejos de seus consumidores antes de desenharem suas estratégias. Outras, confiam apenas no conhecimento empírico que acumularam. Há empresas que estruturam o processo periodicamente, contratam consultorias, nomeiam comitês, realizam várias reuniões, solicitam formulários prévios e geram densos relatórios. Por outro lado, existem aquelas que definem suas estratégias sem maiores formalismos e, ainda assim - ou por isso – perseguem seus caminhos com entusiasmo até chegar aonde planejaram.

Resumindo, não importa a forma. Desde que cada empresa encontre sua maneira, qualquer processo de pensar seu futuro deverá trazer benefícios que compensem os esforços. Hoje, encontramos estudos que mostram que empresas que atuam em indústrias extremamente dinâmicas não devem permitir que a estratégia seja refém de um ciclo anual de planejamento e que seus gestores precisam analisar, planejar e (re)agir todo o tempo. Simplicidade demais? Talvez. Um bom assunto para outro dia.

Leonardo Lorentz