
A história recente da France Telecom Orange é um alerta ainda muito vivo sobre os cuidados que devem cercar as fusões, aquisições e associações entre empresas.
Há cerca de seis meses o meio corporativo de todo o mundo era surpreendido pela insólita notícia de uma onda de suicídios na companhia francesa de telecomunicações. Um total de 25 casos ocorridos em vinte meses.
Segundo diagnóstico de especialistas em psicologia do trabalho os episódios estiveram diretamente associados a um choque de culturas e filosofias de gestão - uma ligada à origem estatal e outra com orientação competitiva implantada pelos novos dirigentes.
O caso não ocupa mais espaço na mídia nem carrega a mesma dramaticidade da época, e isso torna possível observá-lo a partir de outras perspectivas.
No momento em que assistimos a um crescente movimento de consolidação em diversos setores, a história recente da France Telecom Orange é um alerta ainda muito vivo sobre os cuidados que devem cercar as fusões, aquisições e associações entre empresas.
O processo de transição vivido pela France Telecom Orange é comum no mundo empresarial, e ainda que no seu caso envolvesse mentalidades tão distintas quanto estatal e privada, movimentos corporativos deste tipo são altamente sensíveis qualquer que seja a distância entre as culturas envolvidas.
Uma das questões centrais é que muitas vezes não é suficiente unir culturas distintas, é necessário criar uma nova plataforma que possa ser única, inspirar e integrar a todos. Trata-se de criar novos valores, projetar e compartilhar uma visão que seja comum e relevante ao conjunto da organização.
É uma ação abrangente que deve envolver todos os setores e níveis da empresa, mobilizar indivíduos e grupos em direção a um novo mindset . O percurso entre o antigo e o novo deve ser construído para que todos se sintam parte de um novo projeto comum.
Embora as decisões relacionadas a fusões e aquisições estejam naturalmente subordinadas a competências como Finanças e Jurídica, a Comunicação Corporativa tem papel fundamental para viabilizar um processo de transição bem sucedido. Mudanças organizacionais são situações de instabilidade transitória, em que a parceria interna entre Comunicação e as demais áreas de gestão ganha maior importância.
Não há meio de se fazer uma boa transição sem sintonia fina entre Comunicação e RH, por exemplo - o principal interlocutor empresa-empregados. O trabalho integrado, ao contrário, transmite segurança aos colaboradores, coerência entre discurso e ação, transparência e credibilidade às iniciativas.
Cabe à Comunicação a responsabilidade de informar, disseminar valores, estimular, integrar pessoas, construir a “senso de pertencimento” e promover a adoção voluntária de um novo projeto ou filosofia, a partir de elementos com os quais a organização esteja realmente comprometida.
O case traumático da France Telecom reforça a importância de uma agenda cuidadosa para conduzir mudanças organizacionais profundas com sucesso.
“Sonho que se sonha só, é só um sonho que se sonha só, mas sonho que se sonha junto é realidade” - Raul Seixas