
Susan Boyle: o antes e depois
Para ser “a escolha”, é preciso ir além da excelência técnica.
Quando Susan Boyle entrou no palco do Britain’s Got Talent, em abril, sua sorte começou a mudar contra todos os prognósticos e pré-conceitos por uma única razão: ela iria cantar sob qualquer condição, era parte do programa de calouros.
Mesmo demonstrando notável talento vocal a cada nova apresentação, sofreu o peso de olhares desconfiados e línguas mordazes por bom tempo. Susan Boyle enfrentou uma batalha muito mais difícil no campo da percepção e imagem do que na área musical, que é onde está o “seu produto”.
O mundo empresarial tem muitas histórias semelhantes, nas quais a imagem percebida não é compatível com a oferta. Os públicos formam seu conceito sobre uma organização a partir de diversos sinais que recebem, muitos deles independentes de uma experiência direta, como a compra ou uso de algo que a empresa comercialize.
Em outras palavras, significa que muitas empresas não têm chance de construir sua imagem a partir dos produtos e serviços que oferecem, da qualidade técnica ou benefícios tangíveis entregues ao público.
Para muitas, isso não se torna necessariamente um problema, porque sua agenda estratégica inclui o trabalho focado em outros atributos importantes para a imagem, além da excelência do produto ou serviço. É como no universo individual: muitas vezes não basta ser tecnicamente melhor, também é preciso usar a roupa adequada, ter unhas e cabelos em dia, estar em paz com o peso e manequim, etc.
Já empresas que concentram sua atenção quase que exclusivamente na competência técnica, podem enfrentar dificuldades. Excelentes marcas e produtos talvez não sejam escolhidos ou não recebam o reconhecimento desejado se não somarem a ela outros atributos, de natureza simbólica e emocional, que estabeleçam uma identidade com os públicos de interesse.
Os sinais são importantes e quase tudo ao redor da empresa comunica e envia sinais, a diferença está em planejá-los ou não.
Susan Boyle é um case de como os sinais vão além da experiência tangível para influenciar a formação de imagem e percepção. O “antes e depois” mostra um trabalho planejado para construir uma imagem capaz de sustentar sua qualidade enquanto cantora, ajustada às expectativas que a tornaram celebridade pela discrepância entre conteúdo e forma. Os primeiros resultados já estão aí: seu 1º CD começará a ser vendido em novembro, mas é o mais pedido na pré-venda aberta desde o início de setembro na Amazon.com. Será que o interesse seria o mesmo se ela continuasse a ser como “o antes”?
A recente história de Susan Boyle pode inspirar muitas organizações a planejar e cuidar de sua imagem.
